EUROPA ORIENTAL DE REBELA CONTRA SOROS
 

 


 

Europa Oriental contra Soros: O bilionário e os perseguidores

Por Keno Verseck

DER SPIEGEL


Governos de direita da Europa Oriental têm um novo inimigo de Estado: O bilionário George Soros. Por ele financiar e apoiar organizações civis, ele é atacado maciçamente de antissemita.


O bilionário mostrou em um pedaço de papel onde estava escrito: “Eu elaborei cuidadosamente e gostaria de ler em voz alta”, disse George Soros. Eram 6 frases de ataques a sua Fundação Open Society, a sua pessoa e à organizações civis. “As tentativas do governo húngaro em desacreditar e intimidar a sociedade civil, não é aceitável”, leu em voz alta o homem de 86 anos.

Normalmente, George Soros reage de forma calma, quando populistas e autocratas tentam perturbá-lo. Até mesmo quando recentemente, o filantropo no Fórum Social de Davos, fez uma declaração que soou de maneira terrível, no momento em que ele falou de um sério perigo.

Foi motivo para que as palavras de Soros fossem uma nova ofensiva do Ministro-Presidente Viktor Orbán e seu partido Fidesz contra as ONG’s e em especial, aquelas que são financiadas pela Fundação Open Society de Soros. Tempos atrás, Orbán mesmo, anunciou que o ano de 2017 seria uma “Rebelião Nacional” contra os bolsistas de Soros, os quais simbolizavam o bilionário e a sua força, dos quais deveriam ser postos para fora da Hungria. Um representante do seu partido recentemente ameaçou varrer as ONG’s do país e anunciou uma lei que aumenta o controle sobre funcionários de ONG’s. Eles precisam entregar com frequência declarações de seus bens.
 

Primeiro o patrocínio, depois a perseguição
 

As ações contra as ONG’s têm uma tradição na Hungria. Há 3 anos, o governo húngaro autorizou batidas de fiscalização às numerosas ONG’s no país, por ordem de Orbán, em busca de supostas irregularidades nas finanças e contabilidade. Mais tarde, o governo rebateu todas as acusações, porém isso destruiu sua reputação e deixou uma marca.
 

Parece irônico, mas quando Orbán e seu partido Fidesz ainda eram oposição, eles foram apadrinhados por ONG’s. E ainda mais. Orbán em 2007 abriu um processo contra o antigo governo liberal-socialista em defesa da organização de direitos civis, TASZ, que agora foi incriminada.
 

Situação parecida ocorre também em outros países do leste europeu. Não há um dia em que o líder da Macedônia, Nikola Gruevski, não esbraveje contra as ONG’s, Soros e seus ajudantes macedônios. Como tal, ele menciona abertamente que um promotor foi nomeado devido aos inúmeros casos atuais contra ele, devido à corrupção e abuso de poder. Uma semana antes de fundar a “Aliança Cívica Stop Operation Soros”, ele fixou um objetivo de “Dessorização”, da Macedônia.

Campanhas contra ONG’s e Soros
 

Na Sérvia, o chefe do governo Aleksander Vucic, acusa regularmente funcionários de ONG’s e Think Tanks independentes, de serem anti-sérvios e antinacionais, em uma transmissão da PINK TV. A diretora do Centro de Estudos Euro Atlânticos, de Belgrado, Jelena Milic é sempre vista nas primeiras páginas dos jornais sérvios como a mercenária de Soros.

Igualmente na última semana, funcionários da Rede Jovem dos Bálcãs, o YIHR, foram surrados, pois eles demonstraram estar contra a participação de um criminoso de guerra, em um evento do partido SNS, na pequena cidade de Beska, no norte da Sérvia.

Na Romênia foi espalhada, no meio dos nacionalistas sociais-liberais que ganharam a maioria do governo nas eleições em dezembro do ano passado, a notícia de que o ex-chefe interino Dacian Ciolos é filho ilegítimo de Soros. O boato se alastrou rapidamente, e Ciolos se viu forçado a desmentir. A existência de um fake news é apenas uma parte de uma horripilante disputa eleitoral chauvinista xenófoba da aliança partidária nacionalista social-democrata PSD-ALDE contra os supostos inimigos não-romenos.

Há um grande peso nos procedimentos contra as ONG’s e Soros, no ponto de vista dos detentores de poder na Europa Oriental. O bilionário gastou centenas de milhões de dólares nas últimas 3 décadas e meia, apoiando organizações não governamentais e iniciativas civis para democratização da Europa Oriental. Por isso hoje, não menos importantes, as ONGs em muitos países da região são um dos poucos fortes pilares do poder de controle. Frequentemente elas são as únicas instituições a documentarem violações de direitos, corrupção, confronto a males sociais de maneira cuidadosa.

Lenda da conspiração mundial judaica
 

Máté Szabó, diretora do programa húngaro de direitos civis, Tasz, mencionou o próprio país como exemplo. "Para assegurar o seu poder, o governo húngaro, nos últimos anos, dissolveu instituições constitucionais ou submeteu indivíduos às suas vontades. Agora está acontecendo com a mídia independente e organizações civis".

Na Sérvia, a cientista política Jelena Milic, diz que o presidente Aleksandar Vucic é um esmerado defensor da União Européia e os seus valores fundamentais. Na verdade ele odeia a sociedade civil e vê as ONGs como uma das grandes ameaças de seu poder. "Infelizmente, Bruxelas está cega para sua política", disse Milic.

 Quando um chefe de Estado como Vucic, Orbán ou Gruevski, conduzem campanhas contra ONGs e George Soros, então se recorre também a uma narrativa de que os estrangeiros, e em particular uma conspiração judaica, estão contra sua terra natal, o povo e os interesses nacionais. Na biografia de Soros consta que ele é um judeu húngaro, sobrevivente do Holocausto, imigrante e um mítico rico especulador de bolsas de valores. Isso se encaixa perfeitamente bem para o fato.
 
Orbán, por exemplo, empenha-se, sem cerimônia, na típica extrema-direita, leves soturnas movimentações antissemitas, quando ele fala sobre Soros e ONGs. Eles representam uma movimentação nos bastidores e teriam criado uma ordem experimental manipuladora, segundo ele.

Tal discurso está sendo bem sucedido, como mostra uma pesquisa de opinião realizada nas proximidades de Budapeste, segundo o instituto de pesquisas Százádveg. De acordo com o instituto, 61% dos húngaros possuem uma opinião negativa a respeito de George Soros. Sobre a pergunta a respeito da impressão de que há uma pequena força de envolvimento das organizações civis nas políticas internas e internacional, a recusa foi ainda maior. 88% disseram estar contra. 

Tradução: Márcio Alexandre