ALEMANHA: SPD EM GRANDE DIFICULDADE
 

 


Schulz já está fora e faz parte do passado?

Por Philipp Wittrock

DER SPIEGEL  

14 de maio de 2017

Martin Schulz já era? O SPD viveu no Estado de Nordheim-Westfalen um histórico fiasco, onde o   CDU já apreciou o seu terceiro sucesso seguido nas eleições. Isso tem um significado para o país e para a disputa das eleições pelo Parlamento. Uma análise.

Está 3 a 0 !

O  SPD perdeu a terceira eleição estadual nesse ano de 2017. Com isso, os integrantes do partido após uma clara e surpreendente derrota em Saarland, apreciaram duas vitórias em Schleswig-Holstein e Nordhein-Westfalen. Mas nada, como também em Nordhein-Westfalen, originalmente terra natal dos sociaisdemocratas, foi suficiente.

As projeções básicas viam claramente o CDU na liderança, o chefe estadual do CDU, Armin Laschet, tornará Hannelore Kraft, do SPD, ministra-presidente, a qual já renunciou o seu cargo no partido, desmanchando o seu escritório em Düsseldorf. Uma sensação de êxito para o Union (CDU+CSU), uma histórica derrocada do SPD e um recuo na candidatura de Martin Schulz.

O frontman do FDP, Christian Lindner, está encontrando forças e os Verdes estão em queda. A “direita populista” do  AfD atua também de maneira tranqüila na sua chegada ao Estado. O Die Linke, tem muito a temer. 

O que significa o resultado nessas últimas eleições para o país e para o pleito do Parlamento Federal em setembro?


1. MARTIN SCHULZ PRECISA AGORA DE UM MILAGRE    

Efeito Schulz?

O que foi aquilo?

O tão eufórico e fortalecedor movimento de euforia no SPD, agora entristece a todos os seus partidários com a sua queda. De repente, uma dinâmica completamente diferente prevalece no partido, uma vitória no outono nas eleições do Parlamento Federal ficou evidente por algumas semanas. Hoje, pela primeira vez isso está tão longe quanto a Coréia do Norte está da democracia. Agora, onde deve ainda encontrar mudanças de votos no país?

Naturalmente, Schulz não irá desistir. Faltam alguns meses para a disputa eleitoral, mas o debate iniciou de forma tardia no SPD, neste domingo, às 18 horas. O que precisamos mudar?

Aliás, qual o trunfo que eles ainda tem?

Aonde eles podem atacar Ângela Merkel?

Ao menos existe um slogan político que o candidato possa anunciar e ele precisa ser mudado.

Com isso, a chanceler vê o dia 24 de setembro chegar. Três vitórias nas eleições estaduais e as e as pesquisas eleitorais, em todo o país, empurram o SPD para baixo. O que ocorre com Ângela Merkel e o CDU é um belo de um efeito colateral que está na mira da comandante do partido. Com Armin Laschet vencendo em Nordhein-Westfalen, Merkel terá ao seu lado, um leal aliado para a crise de refugiados. A sua mais importante tarefa será agora, não deixar a arrogância e a presunção surgirem dentro do partido.

2. A COLIGAÇÃO  VERDE-VERMELHA NÃO SERÁ ELEITA NOVAMENTE

O comando da coalizão em Nordhein-Westfalen não tem mais a maioria. Ambos os comandos dos partidos perderam de forma dramática. Na realidade, as pesquisas de opinião do  Infratest Dimap, confirmaram um grande descontentamento com o governo estadual, especialmente em relação ao trânsito, imagem dos políticos na luta contra a pobreza infantil e a criminalidade. Nesses campos, mais de 60% das perguntas indicaram uma imagem ruim da coligação verde-vermelha.

O futuro ministro-presidente se chamará Armin Laschet e é provável que ele dirija uma sociedade minoritária com o SPD. Para uma coalizão com o  FDP, ele não alcançaria a união de 6 partidos. Para uma coalizão preta e amarela (CDU + FDP), apenas se o Die Linke  não conseguisse entrar. Uma aliança Jamaica (CDU+FDP+Verdes) é supostamente possível, mas politicamente difícil.

3. CARGOS A MAIS PERDEM FORÇA

Em dezembro de 2012, poucos meses depois das eleições parlamentares estaduais, a ministra-presidente tinha ainda 73% dos votos válidos, segundo o Infratest Dimap. Perto do dia das eleições, aproximou-se dos 55%. Com isso, ficou ainda claro para os concorrentes de Laschet, que ele parecia estar no nimbo da inviolabilidade. Essa situação, no entanto, não validou Laschet como um oponente mais forte, uma vez que alguns em seu partido, não estavam convencidos de suas qualidades. De qualquer maneira, sua campanha representou uma luz no fim do túnel da imagem política dos efeitos da segurança interna de Nordhein-Westfalen.

4. LINDNER TORNOU O FDP NOVAMENTE MAIS FORTE

Os liberais registraram um notável crescimento em relação às eleições de 5 anos atrás. Dentre eles, o mais grato a esse fato é Christian Lindner. O chefe nacional do FDP é o “show man” do partido e foi o político mais adorado de Nordhein-Westfalen. Ele declarou, de forma aberta, que pessoalmente considera Nordhein-Westfalen, uma estação localizada no meio do caminho, no retorno ao  Bundestag e que nada vai ou conseguiu prejudicá-lo.

5. OS VERDES PROCURAM POR UM FREIO DE EMERGÊNCIA

“Trata-se da existência parlamentar dos Verdes”, alertou a líder e agora ex-ministra da Educação Slyvia Löhrmann perto do pleito. As eleições não se mostraram injustas como os números apurados nas pesquisas eleitorais. Apenas 25% dos eleitores de Nordhein-Westfalen estavam satisfeitos com o governo dos Verdes.

A queda absoluta não eclodiu, mas o resultado dos anos que se passaram, quase dividiu os Verdes ao meio. Para as eleições do Bundestag isso significa um novo recuo. O debate a respeito do caminho a trilhar no futuro e a candidatura dupla de Cem Özdemir e Kathrin Göring-Eckardt começam agora a tomar um embalo.
 
6. OS ÊXITOS DO AFD SE TORNAM UMA ROTINA

Não são os resultados triunfantes do AfD ainda alcançaram os últimos meses, mas a entrada da direita populista nos parlamentos estaduais nesse meio tempo, pertencem à normalidade da política na república alemã.

Tradução: Márcio Alexandre