A ERA DO CONSENSO GLOBAL
 

 

A Era do Consenso ou a supremacia da elite globalista

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

Nova Ordem mundial significa a criação de um governo global centralizado com diversas ramificações e órgãos locais para pressionar e impedir as vozes dissonantes e críticas da globalização. Segundo o globalista George Monbiot “[...] o mundo não será modificado enquanto não assumirmos o controle da política global.” [MONBIOT, 2004, p.21]

Tal governo global vai se mostrar como uma Assembleia Geral, por exemplo: a ONU, que está acima dos interesses particulares das nações e que por isto é capaz de decidir pela “humanidade” as questões da economia, segurança e cultura em qualquer lugar do mundo.

“Um sistema de segurança democrático deveria ser controlado, não por governos autonomeados, mas por toda a Assembleia Geral. O voto de cada país seria pesado de acordo com o número de pessoas que ele representa e a sua legitimidade democrática. [...] A nenhum país seria dado o poder de veto. As decisões de maior peso – como a de entrar em guerra, por exemplo – precisariam ser aprovadas por maioria absoluta dos votos ponderados da Assembleia. Com isso, os governos mais poderosos que quisessem trazer para o seu lado países relutantes seriam forçados a subornar ou chantagear o resto do mundo a fim de obter os resultados desejados. Os países cujos votos eles mais gostariam de conquistar seriam justamente aqueles cujos votos seriam os mais difíceis de comprar.” [MONBIOT, 2004, p.140]

De acordo com a obra O Eixo do Mal e a Nova Ordem Mundial de Heitor De Paola o termo “Comunidade Internacional” pressupõem um consenso global entre todos os indivíduos, grupos, organizações e Estados do planeta que é no mínimo irracional, dada a pluralidade de contradições entre os indivíduos, grupos, organizações e Estados. E além disto para existir tal consenso global seria necessário realizar pesquisas e votações nas quais todas as pessoas e povos do mundo participem de modo simétrico e transparente, sendo o resultado dessas pesquisas e votações uma única opinião pública mundial. Ou seja, o dito consenso global na realidade é forjado por uma minoria “seleta” de organizações transnacionais que buscam obter poderio se travestindo de porta-voz do “mundo” e da “humanidade”. Para esta elite globalista de não-eleitos pouca importa o que os indivíduos pensam, o importante é manietar as nações para que não decidam de modo autônomo os seus rumos.

“Esta é a essência da Nova Ordem Mundial: um corpo de elite não-eletivo que tome todas as decisões e depois guie a opinião pública para aceitá-las. A pergunta nunca feita é: e quem não se convencer, isto é, quem não concordar com o “consenso da comunidade internacional”? Para respondê-la basta ver as experiências com este tipo de governo para saber a resposta: guilhotina, forca, fuzilamento, campos de concentração e outras que venham a ser inventadas. Mas a oposição diminui a cada dia mais. Isto porque, antes de tudo, antes da chegado ao poder, os que não concordam sofrem a ridicularização, a desmoralização e o desprezo dos gurus, dos maîtres à penser , que fazem a história dos conceitos e das ideologias, comandam a mídia e determinam os modismos intelectuais pagos a peso de ouro pelas fundações interessadas. Quem se atreve a ser contra o consenso corre o risco, já hoje, de ser estigmatizado como “reacionário” (oh, horror!), truculento, contra a paz e, se for da área acadêmica ou das associações profissionais, ostracismo e morte intelectual. ” [DE PAOLA, 2016, p.202]

Esse corpo de elite não-eletivo necessita passar por cimas de todos os obstáculos – as figuras de autoridade (Deus, Pátria, família e propriedade), como uma motoniveladora com o objetivo de tornar o terreno plaino para construção de uma Nova Ordem Mundial, sendo a Elite globalista dos não-eleitos os únicos tomadores de decisões - essa é a essência política da Nova Ordem Mundial. 
Esta elite globalista de não-eleitos se traveste de arautos do interesse geral e da vontade coletiva “mundial” e “humana”, para impor seus próprias interesses e vontades. E todos aqueles que se posicionaram contra os seus propósitos serão taxados de racistas, fascistas e imperialistas. E no momento que a elite globalista gozar de um consenso mínimo entre as populações do mundo ela irá criar mecanismos e instituições transnacionais com suas respectivas jurisdições e forças armadas acima dos Estados nacionais para executar como criminosos de guerra todos os patriotas. 

As fronteiras e as tradições são, para os globalistas organizações repressivas que oprimem os povos e só um mundo sem fronteiras pode emancipar o indivíduo da “opressão” da pátria e da família para assim se submeter a um único poder – o governo global.

“A localização é mais uma imposição dos povos poderosos do mundo rico à vida dos indefesos do mundo pobre. Ela pertence a uma época da qual estamos procurando fugir: a Era da Coerção.” [MONBIOT, 2004, p.223-4]

O discurso nivelador e igualitário dos globalistas entre as culturas não tem por objetivo nivelar ou igualar as desigualdades e muito menos distribuir o poder entre os Estados de forma democrática. Mas antes de tudo passar por cimas das diferenças e das autoridades como uma motoniveladora para impor o seu poder global. O discurso globalista é considerado por certos intelectuais e jovens descontentes como uma alternativa libertária por ser capaz de destruir a pátria e a família. E é por isto que os globalistas sempre reclamam o fim das relações internacionais – o internacionalismo - e pregam a globalização das relações humanas – um mundo sem fronteiras. O mundo para os globalistas vive um superávit de internacionalismo e déficit de globalização.

Nos termos de Monbiot

“Sob alguns aspectos, o mundo sofre hoje de um déficit de globalização e um superávit de internacionalismo. [...] O Estado-nação age como uma barreira entre nós e a organização encarregada de resolver muitos dos problemas que nos afetam. O problema com a ONU é que esses Estados-nação se apoderaram da política global em outras palavras, a globalização foi obrigada a ceder lugar ao internacionalismo.” [MONBIOT, 2004, p.32]

Para existir uma nova ordem mundial é necessário que as demais fontes de autoridade ou concorrentes – Deus, pátria, família e propriedade - estejam quebradas ou destruídas.  Só assim a Elite globalista vai deter o monopólio do poder e ser capaz de intervir sem resistência nas diversas dimensões da vida humana.

O único ponto positivo da análise de Monbiot é que “tudo já foi globalizado, exceto o nosso consenso” [MONBIOT, 2004]. E é justamente este fato da impossibilidade de o consenso ser globalizado que permite um suspiro de liberdade frente aos projetos globalistas. A “[...] a própria ideia de consenso é incompatível com a opção por uma sociedade aberta e livre, onde jamais existe consenso e na qual a discordância é o alimento essencial do debate.” [DE PAOLA, 2016, p.17]

Em suma, a Era do Consenso, a Nova Ordem Mundial, significa um mundo governado por um conjunto não-eletivo de sentinelas que vão impor um consenso global - a paz de cemitério.

FONTES:

DE PAOLA, Heitor. O Eixo do Mal Latino-americano e a Nova Ordem Mundial. 2 ª Ed. Observatório Latino, São Paulo, 2016

FUKUYAMA, Francis. O fim da História e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

MONBIOT George, A Era do Consenso: um manifesto para uma Nova Ordem Mundial, Rio de Janeiro, Record, 2004