A ERA DO CONSENSO E O FIM DA HISTÓRIA
 

 

Era do Consenso e o Fim da História

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

Paras os globalistas a finalidade da vida humana, o fim da história, é atingida quando o homem superar a Era dos Conflitos - a velha ordem mundial constituída pelos Estados nacionais e os valores Ocidentais. E alcançar a Era do Consenso – a criação de uma Nova Ordem Mundial sem fronteiras onde a Elite globalista consiga exercer um poder ilimitado.

George Monbiot é um escritor globalista britânico, ativista e jornalista “investigativo” que apoia o ambientalismo, os direitos indígenas, a desmilitarização das forças armadas, o mundo sem fronteiras e a justiça global.  Monbiot em sua obra A Era do Consenso: um manifesto para uma nova ordem mundial (2003) expressa uma concepção teleológica da história onde o fim último da humanidade, ou seja, a finalidade das ações e organizações humanas é a formação de uma comunidade global, governada por um órgão global que irá superar a Era dos Conflitos. 

Para os globalistas a democracia não é algo constituído pelos valores e instituições do Ocidente, mas um espectro que vagava livre no mundo e foi o homem branco, machista, racista e imperialista que confinou a democracia às fronteiras dos Estado nacionais da Civilização Ocidental. Sendo necessário romper os grilhões ocidentais que aprisionam o espírito democrático para que a democracia cumpra o seu destino, a globalização.

“A primeira tarefa talvez seja a mais premente: alterar a mediação da guerra e da paz e as relações entre os Estados-nação, e substituir uma ordem mundial baseada na coerção por outra que venha de baixo, construída sobre os alicerces da democracia.” [MONBIOT, 2004,  p.77-8]

O objetivo dos globalistas é substituir a Era da Coerção – a velha ordem mundial constituída pelos valores Ocidentais e Estados nacionais, pela Era do Consenso – a Nova Ordem mundial que é a negação do Estado Nação e dos valores Ocidentais.

As ideias de Monbiot são uma radicalização fiel das ideias que foram apresentadas por Francis Fukuyama na sua obra O fim da história e o último homem (1992). Em suma, o mundo sem fronteiras e consensual como idealizavam Hegel (1770-1831) e Marx (1818-1883).

“Tanto para Hegel quanto para Marx a evolução das sociedades humanas não era ilimitada. Mas terminaria quando a humanidade alcançasse uma forma de sociedade que pudesse satisfazer suas aspirações mais profundas e fundamentais. Desse modo, os dois autores previam o “fim da História”. Para Hegel seria o estado liberal, enquanto para Marx seria a sociedade comunista.” (FUKUYAMA, 1992, p. 12)

O liberalismo de Fukuyama é nutrido da mesma crença soteriológica do comunismo – a salvação nesta vida através do paraíso terrestre. O liberal radical e o comunista, imanentizam os símbolos transcendentes da salvação ao depositarem uma crença salvífica no mercado ou no Estado como solução dos males da humanidade.  

Segundo Heitor de Paola.

“Esta visão teleológica da história é de inspiração nitidamente hegeliano-marxista onde Fukuyama apenas mudou a finalidade do “processo histórico”: do estabelecimento pleno do comunismo e das benesses da máxima marxista de cada um de acordo com suas capacidades, a cada um de acordo com suas necessidades, a imagem do céu na Terra apenas se transferia para o pleno estabelecimento da liberdade pensamento e iniciativa. [...] Quem pensa assim não deu passo algum, sua “saída” da ideologia é apenas um autoengano, continua fisgado pela mesma visão de mundo que supõe ter abandonado. O liberalismo jamais prometeu coisa alguma, apenas a liberdade de cada ser humano defender seus próprios interesses. Só que, ao ser bem-sucedido, ele beneficia inúmeros outros seres. Não por ser predestinado, mas por simples consequência lógica, aumenta o número de empregos e melhora o padrão de vida da coletividade.” [DE PAOLA, 2016, p.17]

Toda concepção de regime político, econômico e de vida que prega a salvação nessa vida e o fim dos conflitos e problemas humanos - o fim da história.  É uma armadilha ideológica que leva aos homens à produção do inferno terrestre. 

Essa concepção do fim da história como surgimento de uma Nova Ordem Mundial sem fronteiras e sem conflitos embasada pelo consenso mundial é nutrida financeiramente e sentimentalmente por uma série de grupos, lideranças políticas, personalidades e indivíduos com boas “intenções” que lutam por um mundo melhor.  A luta por um mundo melhor é uma excelente justificativa para fugir dos problemas da realidade imediata, a vida cotidiana. E além disto, a luta por um mundo melhor serve de bode expiatório para os líderes e tomadores de decisão justificarem os seus erros e crimes pelo fato de terem o “mundo” ou o “sistema” para descarregar a culpa e a responsabilidade dos próprios crimes e erros.

Fontes:

DE PAOLA, Heitor. O Eixo do Mal Latino-americano e a Nova Ordem Mundial. 2 ª Ed. Observatório Latino, São Paulo, 2016

FUKUYAMA, Francis. O fim da História e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

MONBIOT George, A Era do Consenso: um manifesto para uma Nova Ordem Mundial, Rio de Janeiro, Record, 2004