E OS PEDESTRES QUE SE DANEM!
 

 

 OS PEDESTRES QUE SE DANEM

Jacy de Souza Mendonça


Do alto de meus 86 anos de idade, fui obrigado recentemente a caminhar por dois passeios públicos urbanos. O primeiro era tão estreito que não permitia o cruzamento de duas pessoas, dificuldade superada somente pela decisão de uma delas que descia a sarjeta e enfrentava o desvario dos motoristas. Cheguei em seguida a um ponto daquela calçada no meio da qual haviam plantado uma árvore cujo tronco engordara tanto que ocupava totalmente o espaço teoricamente destinado aos transeuntes... agora todos eram obrigados a enfrentar a preocupação com os veículos, para os quais havia pistas reservadas, uma a bicicletas e outra aos demais veículos, em condições pelo menos razoáveis.

A segunda via pela qual transitei não era tão estreita, mas seu nível variava à frente de cada casa, transformando o local em algo assemelhado a uma escada de elevados degraus ligados por uma rampa própria apenas aos modernos brinquedos da moçada... um bom local para treinamento de alpinistas pedestres, no entanto, não conseguiam andar por ali.

Por que hoje ninguém se preocupa com as calçadas? Lembro-me ainda de que, quando jovem, morava em Porto Alegre, onde um Prefeito, cujo nome merece ser lembrado nessa hora (Loureiro da Silva) adotou uma fórmula simples para corrigir as falhas do caminho urbano destinado aos cidadãos: a Prefeitura notificava o proprietário do imóvel, dando-lhe o prazo de 60 dias para realizar o conserto. Se não fosse obedecida, simplesmente contratava uma empresa que realizava a obra, cujo custo era acrescido à conta do IPTU. Como os proprietários logo perceberam que eram capazes de realizar a mesma obra de forma mais barata, passaram a cuidar do assunto dentro dos 60 dias. Fácil! Pena que aquele Prefeito faleceu há muitos anos sem deixar discípulos.

Mas quando se fala tanto em mobilidade urbana, em proteção aos deficientes físicos e mesmo aos velhos, por que não seguir a simples e eficiente receita daquele político?