AS MENTIRAS SOBRE A VOLKSWAGEN DO BRASIL
 

 

 VW



Jacy de Souza Mendonça



Desde que me aposentei na VW do Brasil, em atenção e respeito aos colegas que lá ficaram, recusei-me a escrever ou comentar qualquer coisa sobre essa empresa que tanto estimo e à qual tanto devo. Meu silêncio neste momento, entretanto, poderia ser interpretado como assentimento às acusações assacadas contra ela, o que não desejo que ocorra nem de longe. Sou assim forçado a quebrar minha rotina de silêncio para comentar uma notícia de jornal.



Foi estarrecido que li que a empresa teria dado apoio à ditadura militar do Brasil teria reconhecido que houve repressão a funcionário dentro da fábrica de São Bernardo do Campo teria facilitado com suas denúncias a prisão de, pelo menos, sete funcionários e que um deles teria sido espancado pela polícia nas dependências da fábrica, antes de ser levado para a prisão. Por esses motivos, teria sido inaugurada na empresa, agora, uma placa em memória das vítimas da ditadura militar.


A notícia não diz, mas sugere que a empresa está se desculpando pelo ocorrido.

Fui funcionário VW durante 25 anos, a partir de 1969. Nos 13 primeiros, gerenciei o setor jurídico da empresa e, depois de 1982 assumi a Diretoria Jurídica e de Recursos Humanos nos dois últimos, anos, depois de aposentado, trabalhei ainda como contratado para fins específicos. Convivi com Presidentes elogiáveis por sua competência e dignidade, como Rudolf Leiding, Werner Paul Schmid, Wolfgang Sauer e Pièrre De Smedt. Costumava acompanhá-los, principalmente Sauer, em seus encontros com o Presidente da República, Ministros de Estado e algumas autoridades maiores. A temática era sempre relativa exclusivamente à situação econômica do País e das empresas do setor automobilístico. Durante todo esse período não conheci nem ouvi falar de Lúcio Bellentani, que aparece agora como acusador da empresa na Comissão da (in)Verdade e no relatório preparado por Christopher Kopper.

Sobre essas acusações, afirmo com toda a segurança: mentiras! São todas mentirosas. Se algo dessa natureza tivesse ocorrido, como Gerente Jurídico teria tido conhecimento e como Diretor de RH mais ainda. O fato alegado teria ocorrido 10 anos antes de eu assumir RH, mas por sua gravidade, como responsável jurídico da empresa, teria necessariamente chegado a meu conhecimento ou de algum funcionário. São aleivosias com o evidente escopo de extorquir a empresa. Nada mais. Foi o que eu disse a Kopper quando me solicitou uma declaração, que não sei se consta de seu relatório. Pela notícia veiculada, parece-me que nada do que informei foi considerado. Repito que não tive a oportunidade de ler o relatório, por isso devo louvar-me apenas no que foi publicado na imprensa, não sei por quem.

Lamento, então, a reação atual da empresa, que aparenta admitir como verídicas as acusações. Atribuo isso ao fato de os atuais dirigentes não terem vivido aquela época e neste momento não terem colhido informações dos remanescentes de então. A palavra do pesquisador Kopper não basta, pois não foi testemunha dos fatos e repete apenas declarações suspeitas e facciosas dos interessados na indenização com que sonham e cuja cobrança, a partir de agora, deverá chover torrencialmente.

Uma brutal injustiça para uma empresa que tanto já fez pelo Brasil.