A INEFÁVEL POLÍTICA PARTIDÁRIA DO BRASIL
 

 

O TROCA-TROCA POLÍTICO

Jacy de Souza Mendonça


No momento, farra política é o troca-troca de Partidos. Dirigentes partidários procuram seduzir candidatos que possam atrair mais votos para sua legenda, enquanto Deputados e Senadores se insinuam aos Partidos que lhes ofereçam mais recursos financeiros destinados à campanha política e mais tempo de exposição na TV. Esquecem todos as promessas que fizeram ao serem eleitos esquecem seus eleitores, esses que são, ou deveriam ser, os maiores interessados por essa orgia.

Quando alguém escolhe o candidato em quem pretende votar preocupa-se (ou deveria preocupar-se) com suas ideias, os princípios políticos que defende ou diz defender, os objetivos do Partido Político que integra. Há quem se empolgue também com as habilidades de comunicação do candidato, com seu denodo na luta ideológica e há ainda quem acredite que ele irá lutar pelos interesses da classe ou do grupo social a que pertence. Mas são crenças frágeis, insuscetíveis de cobrança.

A tarefa da escolha não é fácil, pois quase todos os Partidos têm os mesmos objetivos arrolados em seus Estatutos e programas políticos e não é fácil também porque todos os candidatos prometem as mesmas coisas com a mesma ênfase. De qualquer forma, o candidato é escolhido em função de um pacote de ideias e ideais que promete defender ou que o eleitor equivocado acredita que defenderá, e não pela cor de sua pele ou de seus olhos.

Por isso, a troca de Partido, mesmo em fim de mandato, é um ato de traição ao eleitor. Pode ser que os danos da traição se esgotem em alguns meses ou dias, mas traição é, de qualquer modo. Mas nisso nenhum político pensa na hora em que decide pular do galho. Só pensam neles mesmos, nem um minuto em seu eleitor. Desrespeito total a quem os elegeu.

Há quem acredite que os parlamentares representam os eleitores. Coisa nenhuma: representam apenas seus interesses, por vezes até mesquinhos, a maioria das vezes apenas financeiros preocupam-se apenas com as vantagens que poderão obter com a próxima eleição. Há exceções, talvez. Mas de tão raras são até desprezíveis.

Esse troca-troca, em suma, tem um despudorado desencanto.