TEMPESTADE EM COPO D'ÁGUA
 

 

TEMPESTADE EM COPO D'ÁGUA



Jacy de Souza Mendonça



14/06/2019



Os noticiários escritos ou falados estão prenhes de críticas ao Min. Sérgio Moro porque, no passado, enquanto juiz, manteve contatos telefônicos com Procuradores e Delegados de Polícia relativamente a ações criminosas. Pretendem, com fundamento nessa acusação, a anulação de processos criminais e até a libertação de presidiários. Onde reside o problema que origina tal pretensão?



Juízes, membros do Ministério Público e policiais mantêm e precisam manter relacionamento no desempenho de suas funções comuns. Ao tempo em que fui Promotor de Justiça, algumas vezes fui levado a esse tipo de conduta, quer por iniciativa policial, quer por minha iniciativa e nunca me senti comprometido por isso. Tenho certeza de que, em certa oportunidade, a perseguição criminal só se concretizou graças à minha iniciativa e à minha pertinácia. Acompanhei, também, juízes sérios e laboriosos orientando policiais na árdua tarefa de lidar com a delinquência.



Na missão comum dessas autoridades, no combate à criminalidade, nada impede que troquem ideias ou sugestões ao contrário, convém que o façam, pelo bem público. Delito há ou haveria se algum ou alguns deles atuassem, de qualquer forma, para proteger criminosos ou acobertar a ilicitude. Pelo menos, ao que consta, se entendimento houve entre os pseudo-acusados, não teve como escopo proteger, mas sim reprimir a corrupção. Palmas, portanto, a Sérgio Moro e aos Procuradores e policiais da Lava Jato!



Entendo, por outro lado, que os implicados nos ilícitos e seus comparsas ou admiradores não fiquem satisfeitos porque sua tese, aparentemente tão bem elaborada, não conseguiu a consumação de seus intentos - os condenados continuam condenados - mas não compreendo que criminosos pretendam que as ações das autoridades públicas devam ser pautadas por seus anseios de impunidade e que isso ainda mereça aplausos.